09/06/2009
Estresse- Palavra rotineira e pronunciada diversas vezes por adultos, jovens e até mesmo crianças. Seja por uma razão ou por outra, os fatores estressantes estão presentes em vários momentos do cotidiano tanto no campo pessoal quanto profissional. No entanto, como não é possível escapar do chamado “Mal do Século”, é necessário desenvolver habilidades de enfrentamento dos momentos mais tensos para se preservar a tão desejada e necessária qualidade de vida. Nesta entrevista, a professora Rosa Porto, Mestre em Engenharia, Psicóloga e professora da Fundação Getúlio Vargas, fala sobre os principais fatores que estão diretamente relacionados ao estresse e que atingem as pessoas, mesmo quando elas não se dão conta do fato.
ETN - Como pensar qualidade de vida no mundo do trabalho?
Rosa - O trabalho deve ser um local de realizações como no mundo fora dele. Portanto, qualidade de vida nesse contexto é a forma como cada pessoa se realiza a partir de suas atividades profissionais. Uma definição geral seria um estado de completo bem-estar nos níveis físico-mental-emocional-espiritual; adaptando-se para o trabalho usamos a pirâmide de Maslow nos seus níveis material, associações, status e autorrealização, respectivamente. Estas partes não podem ser separadas, pois as dimensões físicas, emocionais, sociais, espirituais e intelectuais estão intimamente interrelacionadas. O equilíbrio, a integração e a harmonia entre estas dimensões representam no contexto mais profundo a Qualidade de Vida.
ETN- Com a presença constante da competitividade, as pessoas precisam enfrentar um dia a dia corporativo cada vez mais acelerado e com isso surge o estresse. Quais são as consequências na perspectiva do indivíduo e das organizações?
Rosa- Em primeiro lugar, temos que diferenciar os dois tipos de estresse: o positivo(eustresse) e o negativo (distresse). O estresse positivo é decorrente de um dispêndio de energia em atividades gratificantes, criativas, ligadas a desafios profissionais ou não, ou atividades de um conteúdo ligadas a um propósito maior (valores transpessoais). Já o estresse negativo ocorre quando gastamos nossa energia em atividades improdutivas, sem retorno psicológico ou espiritual e não conseguimos extrair dessas experiências nenhum benefício em termos de resultados ou de aprendizado. Quando falamos num sentido leigo estamos nos referindo ao segundo caso - estresse “ruim”. No plano individual as doenças psíquicas e psicossomáticas são as consequências diretas. Nas organizações temos a falta de motivação e o afastamento do trabalho em decorrência destas doenças.
ETN- Qual o melhor caminho para investir em nossa qualidade de vida?
Rosa- Através do autoconhecimento podemos fazer um mapeamento dos níveis de satisfação nos setores da chamada “roda da vida”, que representa o conjunto dos setores da vida em que precisamos colher resultados para nos manter nutridos em nossas necessidades materiais, emocionais, intelectuais, relacionais, profissionais e de transcendência (autossuperação e grandes desafios). Dessa forma, cuidaremos de nossa saúde plenamente.
ETN- É possível gerenciar o estresse?
Rosa- Sim. O gerenciamento do estresse é um conjunto de ações conscientes, identificadas a partir do mapeamento dos gaps na roda da vida. É um processo de aprendizagem de novos paradigmas que vão substituir hábitos anteriores potencialmente geradores de estresse negativo.
ETN- Como as organizações têm investido em programas de Qualidade de Vida?
Rosa- O nível de investimento em geral fica no plano físico, ou seja o estresse é abordado nos programas de controle da saúde física. Porém, raramente as organizações têm investido em programas de saúde que abranjam o ser humano integralmente.
ETN- Por que muitas empresas ainda não despertaram para a importância de promover programas de qualidade de vida no ambiente de trabalho e Gerenciamento do Estresse nos planos “não físicos”?
Rosa- Existem muitos tabus e paradigmas que percebem a realidade do trabalho como algo material e pragmático. A dimensão mental ou intelectual foi rapidamente absorvida na Era da Informação e do Conhecimento. Os programas de capacitação das empresas no fundo são Programas que desenvolvem a saúde intelectual das pessoas, embora focalizem assuntos praticamente exclusivos de sua área-fim. A dimensão emocional tem sido gradativamente incorporada nos programas de Capacitação via os conceitos de Inteligência Emocional de Daniel Goleman. No entanto, a dimensão espiritual não tem sido abordada nos Programas Corporativos, de modo geral. Uma razão para isso é que espiritualidade é confundida com religião, o que torna essa dimensão inacessível no mundo organizacional.
ETN- Em sua palestra na Eletronuclear nos dias 9 e 10 de junho você pretende abordar esses conceitos de forma prática?
Rosa- Minha intenção é provocar a platéia com exemplos, exercícios e práticas nas áreas mais inusitadas com o emocional e espiritual. A apresentação dos benefícios de buscar Qualidade de Viada nessas áreas será feita de forma participativa e vivencial.
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